MPRN recorre ao TJRN para tentar restabelecer expulsão de PM condenado pela morte de Zaira Dantas

Ministério Público questiona decisão liminar que suspendeu a exclusão do policial militar da corporação e garantiu sua reintegração

Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) / Informações do processo / Texto produzido ori
MPRN recorre ao TJRN para tentar restabelecer expulsão de PM condenado pela morte de Zaira Dantas Ministério Público do Rio Grande do Norte recorreu ao TJRN para tentar restabelecer a expulsão de policial militar condenado no caso da morte de Zaira Dantas. Foto: Reprodução

A reintegração de um policial militar condenado a 20 anos de prisão pela morte e pelo estupro de Zaira Dantas Silveira Cruz voltou a ser questionada pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN).

O órgão apresentou um novo recurso ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN) buscando restabelecer a decisão administrativa que determinou a expulsão do policial Pedro Inácio Araújo de Maria dos quadros da Polícia Militar.

A exclusão havia sido suspensa por uma decisão liminar obtida pela defesa do policial, permitindo sua reintegração à corporação. Agora, o Ministério Público pede que a Justiça reveja essa decisão.

O caso ocorreu em março de 2019, no município de Caicó, na região do Seridó potiguar. Zaira Dantas foi vítima de homicídio qualificado e estupro dentro de um veículo. O policial foi levado a julgamento pelo Tribunal do Júri e recebeu uma condenação de 20 anos de reclusão.

MPRN questiona primeira punição

No recurso encaminhado ao TJRN, a Procuradoria-Geral de Justiça também contesta a punição inicialmente aplicada pela Polícia Militar durante o processo disciplinar.

Segundo o Ministério Público, o Conselho de Disciplina havia estabelecido, inicialmente, uma penalidade de 30 dias de prisão disciplinar, considerada insuficiente pelo órgão diante da gravidade dos fatos apurados.

A punição, no entanto, não chegou a ser cumprida porque o policial já se encontrava preso preventivamente por determinação judicial relacionada ao processo criminal.

Diante da situação, o MPRN recomendou que o Estado revisasse a decisão disciplinar e adotasse uma medida considerada compatível com as condutas investigadas.

Polícia Militar determinou exclusão

Após a recomendação, o Comando-Geral da Polícia Militar anulou a decisão anterior e determinou a exclusão do policial da corporação.

De acordo com o Ministério Público, a decisão levou em consideração possíveis violações de deveres funcionais e éticos, além de condutas consideradas incompatíveis com o exercício da função policial militar.

Posteriormente, entretanto, uma decisão liminar suspendeu a expulsão e possibilitou a reintegração do policial aos quadros da instituição.

MPRN pede revisão da liminar

No novo recurso, o Ministério Público defende que as responsabilidades administrativa e criminal possuem esferas independentes.

Segundo a argumentação apresentada pelo órgão, a Polícia Militar possui competência para aplicar sanções disciplinares próprias, com o objetivo de preservar princípios como a hierarquia, a disciplina e a imagem institucional.

A Procuradoria-Geral de Justiça pede agora ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte a revogação da decisão liminar e o consequente restabelecimento da medida administrativa que determinou a exclusão do policial militar da corporação.

O caso seguirá sob análise da Justiça.




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