Fim da escala 6×1: entidades projetam alta de preços e alertam para impactos na economia

Estimativas apontam aumento nos custos de produção, nos preços dos imóveis e na necessidade de contratação de trabalhadores.

Confederação Nacional da Indústria (CNI), à Fiemg, à Fiesp, à Abrasel, à CBIC e à Abrainc, c
Fim da escala 6×1: entidades projetam alta de preços e alertam para impactos na economia Imagem ilustrativa sobre o debate em torno do fim da escala 6×1. Crédito: Reprodução/CNI.

A proposta de acabar com a escala de trabalho 6×1 e reduzir a jornada semanal máxima de 44 para 40 horas, sem redução salarial, tem provocado debates sobre os possíveis impactos na economia brasileira. Após a aprovação do texto pelo Senado Federal, entidades representativas da indústria, do setor de bares e restaurantes e da construção civil divulgaram projeções de aumento nos custos operacionais e nos preços de produtos e serviços.

De acordo com estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a mudança poderá elevar os custos de produção em R$ 267,2 bilhões. A entidade também calcula uma possível alta média de 6,2% nos preços ao consumidor e uma redução de 0,7% no Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a R$ 76,9 bilhões.

Entre os segmentos que poderiam sentir os efeitos da mudança, o levantamento aponta possíveis aumentos de 6% nos preços dos produtos industrializados, de 6,6% em roupas e calçados e de 5,7% nos produtos de supermercado.

As projeções são defendidas pelas entidades empresariais como um alerta para os desafios de adaptação à nova jornada. Os números, entretanto, representam cenários estimados e não aumentos já confirmados no mercado.

Indústria demonstra preocupação com custos e empregos

Representantes da indústria avaliam que a redução das horas trabalhadas, caso não seja acompanhada por ganhos de produtividade, poderá elevar os custos das empresas e pressionar os preços finais. Também apontam possíveis reflexos sobre a competitividade e a manutenção dos empregos formais.

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) defende que as particularidades de cada atividade econômica sejam consideradas na regulamentação da jornada. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), por sua vez, chama atenção para os desafios em áreas que dependem de equipes em funcionamento contínuo, como saúde, transporte, educação e supermercados.

As entidades também mencionam o risco de crescimento da informalidade, caso algumas empresas encontrem dificuldades para reorganizar suas equipes e absorver os custos adicionais.

Bares e restaurantes podem precisar ampliar equipes

No setor de alimentação fora de casa, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) avalia que a redução da jornada poderá exigir novas contratações para preservar o funcionamento dos estabelecimentos e o atendimento aos clientes.

Segundo a projeção apresentada pela entidade, aproximadamente 15 milhões de trabalhadores cumprem atualmente a escala 6×1. Para compensar a redução das horas trabalhadas e manter o nível de atendimento, seriam necessários cerca de 3 milhões de profissionais adicionais.

A eventual necessidade de ampliar os quadros de funcionários pode representar um desafio principalmente para negócios que operam durante longos períodos e dependem de equipes distribuídas em diferentes turnos.

Construção civil prevê reflexos no preço dos imóveis

A construção civil também acompanha com preocupação as possíveis consequências da redução da jornada. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) alerta para a possibilidade de atrasos em obras e impactos sobre investimentos em infraestrutura e habitação.

Já a Associação Brasileira das Incorporadoras (Abrainc), em estudo realizado com a consultoria econômica Ecconit, estima que a redução da jornada para 40 horas semanais poderá elevar em 5,5% os preços dos imóveis.

O mesmo levantamento projeta que até 2,5 milhões de famílias poderiam perder acesso ao financiamento habitacional nesse cenário. Os resultados dependem das premissas utilizadas no estudo e não significam que esses efeitos necessariamente ocorrerão.

O que prevê a proposta de fim da escala 6×1?

A proposta aprovada pelo Senado na quarta-feira (14), por 75 votos a 1, em dois turnos, prevê a redução gradual da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, sem corte salarial, além da garantia de dois dias de descanso remunerado por semana.

Conforme o texto apresentado, a implementação ocorrerá em etapas: dois meses após a publicação da emenda, o limite semanal passará a 42 horas; depois de mais 12 meses, chegará a 40 horas.

A proposta ainda prevê regras específicas para determinadas atividades e a possibilidade de negociações coletivas dentro dos limites estabelecidos.

O debate envolve, de um lado, a defesa de mais tempo de descanso, qualidade de vida e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal e, de outro, as preocupações empresariais com custos, produtividade, contratação e preços.

O impacto efetivo da mudança dependerá das regras definitivas, da adaptação dos diferentes setores e da evolução da produtividade. Por isso, as projeções divulgadas devem ser compreendidas como estimativas, e não como resultados econômicos já concretizados.




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